Hips don’t lie, do they?

Quarta-feira, 31 Jan, 2007

Como fazer Deus rir? Conte a ele seus planos futuros.

Hoje, sei lá por que raios, eu acordei com o novo hit da Shakira tocando na cabeça. Acho que tive algum sonho escuso com o rebolado dela, ou algo assim. “Oh baby, when you talk like that/ You make a woman go mad/ So be wise and keep up reading the signs of my body/ Oh, my hips don’t lie…”

Bem, voltando ao texto. Acordei com a música na cabeça e estranhamente me sentindo… bem. Feliz. Apesar de ter acordado com dor de cabeça. Como diz uma amiga minha, “Allana tem dores de cabeça tanto quanto eu tenho vontade de ir no banheiro”. Prosseguindo, fiquei o resto do dia cantarolando a música (na verdade, apenas o refrão, que é só o que eu sei) e meu namorado resolveu tocar no assunto: “Incrível como a música hoje em dia fala só de sexo”.

Sim, porque, afinal, Hips don’t lie é praticamente nigga music. E começamos a tomar nota da decadência da música pop: Nelly Furtado, que aparecia no vídeo em um belo campo verdejante cantando “I’m like a bird that only fly away” hoje se passa por uma “Promiscous Girl”. A própria Shakira, que cantava não tão inocente “Estoy aqui, querendo-te” já fala dos sinais que o quadril dela dá. Meu exemplo maior, contudo, é Britney Spears.

Joguem as pedras que quiser, mas eu acho que não tem nada melhor de ouvir pra uma garota de 13 anos baladinhas como “Sometimes I run/ sometimes I hide/ Sometimes I’m scared of you/ But all I need is only hold you thight/ Treat you right/ Be qith you day and night/ Baby all I nedd this time”, e coisinhas bonitinhas como “I was born to make you happy”.

Sim, eu tinha o primeiro CD da Britney, e se surpreendam, alguém roubou ele de mim. Ou eu emprestei e esqueci de pegar de volta. E cheguei a comprar o segundo, apesar de não ter gostado muito. Mas ainda me lembro de outras letras, como “Oops, I did it again/ I played with your heart/ Got lost in this game, oh baby”. E… bem, hoje ela rebola uma bunda que não tem, exibe uns 500ml de silicone e se acha a dona do mundo. É a vida…

E eu ainda poderia citar Christina Aguilera, embora eu sempre defendi que ela fosse uma vadia, mas com níveis diferentes de vadiagem. Veja bem, no mesmo álbum que temos coisas como “Who is that girl I see/ Staring a strange back at me?/ When will be my reflection show?/ Who I am inside?” (tema do primeiro Mulan, da Disney, vale salientar) nós temos a famosa “Baby, se quiser ficar comigo/ Há um preço a se pagar/ Sou um gênio numa garrafa/ Do jeito certo você tem que me esfregar*”. Bem, essa não é das posturas mais… inocentes, hã?

E a MTV ainda diz que ela está retomando suas influências do jazz… difícil de engolir, hã?

* Tradução livre do primeiro hit da vad… er, cantora em questão: “If you wanna be with me/ Baby, there’s a price to pay/ I’m a gennie in a bottle/ You gotta rub me for right way”.


Notícia de Jornal

Quarta-feira, 31 Jan, 2007

Love is just a game

Era um lugarzinho pacato, não muito violento ou badalado. De fato, a maior novidade girava em torno de um grupo de jovens que se hospedavam numa das pousadas dali. Aparentemente, eles descobriram um lugar ótimo para fazer “turismo radical” nos limites da cidade. A área era realmente bonita e propicia para tal atividade. Tinha morros, quedas d’água, ficava próxima da mata. Tudo o que os visitantes queriam.

No entanto, o jornal local se cansara disso. Seus leitores não escalavam pedras, pulavam de pontes nem faziam trilhas na floresta. As notícias e informações sobre o que aquele grupo fazia ali já não atraía os habitantes da cidade. O redator-chefe também não agüentava mais publicar sobre enterros, casamentos e batizados. Seu jornal precisava de ação, emoção, talvez de sangue. Será que não havia um caso de adultério seguido de homicídio? Quem sabe um jovem drogado agredindo os transeuntes?

- Desculpe, senhor, mas o máximo que aconteceu foi uma briga entre dois vagabundos – Disse um jornalista, com voz cansada.

- E o que aconteceu?

- Nada demais. Só um olho roxo.

- Então, a notícia terá que ser criada. – Resolveu o redator-chefe, com um brilho estranho nos olhos.

No dia seguinte, a notícia lida pelos moradores da pequena cidade continha medo, violência e sangue. Um mendigo matou outro com pauladas na cabeça. Disputa territorial, o agredido estava dormindo no banco da praça que “pertencia” ao outro. De quebra, ainda roubara a latinha de cola do agressor.

Fato parecido era realmente novidade por ali. Havia brigas, é claro. Tinha aquele senhor que era alcoólatra, outro que discutia toda noite com a mulher. Mas homicídio, drogas; aquilo assustou a população.

Os velhinhos, aterrorizados, pararam de conversar na calçada ao anoitecer. As mães passaram a super-proteger seus filhos. Os homens discutiam entre si, no intervalo dos jogos de futebol dominicais, sobre como as pequenas cidades haviam perdido a vantagem de serem seguras. Esse mundo estava perdido! Não havia mais segurança ali, então não havia segurança em lugar algum desse planeta!

E, naquele dia, o jornal vendeu. Vendeu como nunca!

* Reedição, ainda que nunca tenha sido publicado no Membrana. Fernanda está passando por um pequeno bloqueio criativo (ataque de estrelismo) e resolveu não publicar nada novo esses dias. A idéia de publicar justamente esse conto partiu do Rascunhos de uma Mente.


Black-Music-seiláoquê X Funk

Quarta-feira, 31 Jan, 2007

Vermelho, vermelho cereja, vermelho morango, corselete vermelho, unhas vermelhas, lençóis de seda vermelhos, vermelho fogo, vermelho sangue, vermelho.

Certas pessoas “se jogam” na pista da boate ao som de músicas como “Don’t Cha” e “Buttons” de Pussycat Dolls, “My Humps” do Black Eyed Peas e “Candy Sop” do 50 Cent, mas saem correndo se o Dj quiser “brincar” e colocar nas pick-ups algo como “Boladona” da Taty Quebra Barraco ou “Vacilão” da Perla… “Ai eu odeio funk, as letras são fúteis e baixas…isso é coisa de pobre”.

Será mais uma vez aquele famoso preconceito pelo que é “nosso”? Será que só porque a letra é cantada em inglês as pessoas acham legal?

Muitas dessas músicas pop/black-sei-lá-o-quê têm letras com o teor bem mais “incorreto”, “carregado”, “baixo” “vazio” e afins que o das cantadas nos bailes cariocas…

Tenho uma música eletrônica no meu computador que se chama “Dirty Mary” (“hello, my name is Dirty Mary, your horny secretary…I’ll be whatever you want me to be… I can be a motherfuckkin’ slut …”), e aí? Não deixa muito funk no “chinelo”?

Não sou amante do funk, nem vou dizer que gosto de ouvir músicas chamando mulheres de “cachorra” – mesmo que muitas façam por merecer o apelido carinhoso, mas gosto do ritmo, gosto de música eletrônica e gosto de black-music-seiláoquê…essas musiquinhas pop também me agradam e, pra falar a verdade, é difícil algum estilo me desagradar por completo…escuto forró, rock, metal, samba…o que for…depende do momento. O que vale é a diversão.

Então penso que uma pessoa que está numa festa se divertindo e fazendo “altas coreografias” ao som de “my hump, my hump, my hump, my hump” e do nada sai correndo pra sentar porque começou um “tá dominado, tá tudo dominado” e não pode ser vista dançando “essas coisas de baile funk de periferia” estará sendo um pouco hipócrita ou não sabe nada de inglês e acha que Black Eyed Peas falava sobre preservar a natureza…

- devaneios enquanto ouvia “n” músicas no mp4 que salva o tédio de uma manhã no estágio.
- sim, eu respeito quem não gosta de pop, música eletrônica, black music…espero que esteja claro pra que “gênero de gente” vai o post.


Rainy days

Segunda-feira, 29 Jan, 2007

Como fazer Deus rir? Conte a ele seus planos futuros.

“Admirar um velho quadro é verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de lançá-la adiante pelos jatos violentos de criação e ação. Você quer portanto estragar suas melhores forças numa admiração inútil do passado, do qual você sai forçosamente esgotado, diminuído, espezinhado?”
(F.T. Marinetti, Manifesto Futurista)

Chovia pesadamente aquele dia. Era fevereiro, afinal. Chovia pesadamente quase todos os dias daquele mês. Giorgio sempre acreditou que chuvas em dias de funeral queria dizer alguma coisa, embora ele nunca soubesse o que. Preferia pensar que a torrencial chuva ia levar embora aquele sentimento vazio que, ironicamente, o preenchia.

Já era viúvo havia anos – e aquele buraco foi preenchido por um espírito prático e racional. Naquele dia, no entanto, não pôde evitar de lembrar dela. Sofia. O que ela diria se estivesse ali? O que ela teria feito se tivesse presenciado a morte do seu primogênito?

Era estupidez pensar naquilo. Ela estava morta, afinal. Talvez ela tivesse feito isso justamente para não precisar passar por aquele momento. Ele estava sozinho, isso que importava. Seu filho mais velho, Richard, havia morrido por vingança de um grupo rival. Todos os seus homens de confiança também. Pensando agora, eles também tinham família. Filhos e esposas estavam chorando sobre túmulos agora.

Não que aquilo fosse um pensamento reconfortante.

Fez um sinal-da-cruz, pensando que não queria enterrar outro filho. Mattew estava no hospital, estado grave. Coma. Ao menos tinha alguma chance. Ao menos ele não estava enterrando seu irmão, a quem sempre fora tão apegado.

Giorgio amou Sofia, e conscientemente ela o havia deixado. Enforcada. A imagem dos seus lábios arroxeados pela falta de ar surgiu em sua mente. Amou Richard desde quando segurou-o quando ainda era um bebê chorão até quando fecharam o caixão antes de enterrá-lo. Amou Matt, o mais introvertido e talvez o mais sensato dos três. E amava Nicole, a garota sonhadora e a menina dos seus olhos. Teria que trazê-la de volta por mais que não quisesse.

Então seu telefone tocou.

Olhou o número e não conseguiu evitar um meio sorriso. Aquele massacre não ficaria em branco, afinal. Logo prepararia sua vingança. Deu as costas ao túmulo, levantou o capote, deu uns passos na grama molhada e atendeu o celular.

- Créditos do avatar: li-bra’s deviantart
- Sim, eu sou péssima com títulos.


Controle de Volume Cerebral

Sábado, 27 Jan, 2007

Quanto mais queijo, menos queijo.

Existem várias, várias coisas mesmo que eu gostaria de poder fazer mas ter um controlador geral de volume na minha cabeça seria algo fantástico.

Claro que não seria somente para o mundo externo, eu teria como aumentar o volume da minha biblioteca interna de músicas e conversas também. E dividiria o som externo.

Por exemplo: nesse exato momento, meu irmãozinho chato está ouvindo música a todo volume na sala. Não é que a música esteja ruim, é que ela está alta! E eu simplesmente odeio música alta. Me irrita, dá dor de cabeça, me estressa e impede que eu foque nos meus próprios pensamentos.

Eu poderia, nesse momento, baixar todo o volume que vem da sala, manter o do teclado e ligar minha biblioteca virtual. Já notou que no pensamento as coisas são mais perfeitas que na vida real? Com música não seria diferente: a qualidade seria melhor.

Quando o pestinha viesse reclamar, eu desligaria o som da voz dele na minha cabeça, assim ele poderia xingar o quanto quisesse.

Desligaria o som das buzinas impacientes num pequeno congestionamento de semáforo. Desligaria o som de pedintes, o de carros de som, o de manés com mega-caixas-de-som no porta-malas na praia, o da voz de pessoas chatas…

E claro, ampliaria o som da voz daquela amiga que está me contanto uma fofoca bem baixinho pro resto não ouvir, assim eu a ouviria perfeitamente e os outros, não. Aumentaria também o som dos pássaros, das ondas do mar, das pessoas que estão cochichando para que eu não ouça o que elas tem a dizer.

Eliminaria o som de gente comendo e conversando no cinema e melhoraria a qualidade do som do filme. Aumentaria bastante o som de uma gargalhada (principalmente a da minha professora de francês, a gargalhada dela é fantástica) e de cumprimentos felizes e sinceros e nunca mais ouviria um resmungão mal-humorado.

Seria bom também pra editar os sons, e usar só a parte construtiva das broncas que recebo/recebi. Assim, quando começasse a se repetir, tchau tchau. Desligamento e deletamento automático da parte sobressalente.

Um troço desses seria bem útil e eu seria uma pessoa tremendamente mais feliz, se pudesse fazer uso desse recurso.


Novas Mudanças

Sexta-feira, 26 Jan, 2007

Quanto mais queijo, menos queijo.

Provando mais uma vez que somos um site democrático, abri uma nova enquete. A decisão a ser tomada dessa vez é se abrimos ou não novas sessões no blog.

Uma das escritoras daqui é a favor, a outra é contra e uma terceira ainda não se manifestou. Mas já que quem lê são vocês, decidimos (minto, eu decidi) abrir uma enquete.

O lado bom das sessões é que o blog fica mais organizado. Os leitores que não tem interesses por livros ou filmes simplesmente não precisam entrar. Os leitores que tem vão ter a certeza de achar algo por lá com uma certa freqüência, a ser determinada por nós caso a mudança aconteça.

O lado ruim é que é mais trabalho para todas nós, principalmente para mim, que vou ter que montar as páginas. Nada que não possa fazer em uma ou duas tardes, mas ainda assim é trabalho.

Bom, aqui está a enquete, votem, deixem comentários e opiniões (a própria janela da enquete oferece recursos e vocês sempre podem cometar no blog) e decidam o futuro do Membrana.

Ou não. Vai que a gente decide não acatar o resultado da enquete? Hehehe!!!

Ah! Só lembrando: se vocês lerem um texto, acharem interessante e quiserem comentar, fiquem a vontade, ainda que seja o primeiro texto do blog. Todos os comentários são recebidos por e-mail. Assim sendo, nós sempre os vemos. E se alguém quiser falar conosco, basta clicar em “Contato” e nos mandar um e-mail. Será sempre bem vindo!


O estranho caso do cachorro morto – Resenha

Quinta-feira, 25 Jan, 2007

A lua não passa de um grande queijo suíço. E que será comida por ratos alienígenas.

Em um dos meus momentos entre-leituras, li um livro que ganhei no meu aniversário. O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon. Leitura rápida, interessante. Livro com páginas amarelas sempre são mais fáceis de ler. E a diagramação utilizada nele ajudou bastante.

Christopher Boone é um garoto de 13 anos, 5 meses e 2 dias quando a história começa. Quando fazia sua habitual caminhada da madrugada até o final da rua onde morava, encontrou o cachorro de uma vizinha deitado no chão, como se estivesse dormindo. O único diferencial era que um forcado de jardim atravessava o cão.

A história é contada sob a ótica de Christopher, que depois de ter sido acusado de matar o cão e acabar passando a noite na cadeia por ter agredido um policial, resolver investigar o caso. Até aí nada de original, certo? O inusitado é que nosso garoto, agora de 13 anos, 5 meses e 3 dias é um autista. Em sua investigação, no entanto, ele há de descobrir muito sobre sua própria vida e também de passar por muita coisa, como uma viagem a Londres e um passeio no zoológico.

O livro é estruturado em pequenos capítulos, que ao invés de serem numerados em ordem cardinal (1, 2, 3…) são enumerados na ordem dos números primos (2, 3, 7…). Isso porque o personagem tem uma fixação incrível por matemática, ao ponto de querer fazer o exame avançado de Matemática e Física.

Haddon consegue introduzir o leitor na mente de um autista através de uma linguagem simples e disgressões bastante oportunas. O modo como Christpher explica e vê o mundo ao seu redor é realmente curioso, além de engraçado e às vezes comovente. Eu não deixei de sorrir quando, depois de uma discussão com o pai, o homem pergunta:

“- Christopher, você entende que eu amo você?

- Sim, eu entendo.

Porque amar é ajudá-lo quando ele está com problemas, tomar conta dele, falar sempre a verdade, e o Pai toma conta de mim quando eu estou com problemas, como quando ele foi atrás de mim no distrito policial, cozinha pra mim e sempre me diz a verdade, e isso quer dizer que ele me ama.

PS.: Acho que a gente devia fazer algo como uma Cotação Membrana, pros livros que fôssemos falando aqui.


Verdade Inconveniente

Quarta-feira, 24 Jan, 2007

Queijo é apenas queijo. E eu prefiro Cheesecake.

Vi hoje no site do Ministério da Ciência e Tecnologia uma notícia sobre emissão de CO2, nenhuma novidade, mas tive vontade de escrever sobre isso aqui.
É assombroso saber que a quantidade de CO2 emitida em uma semana pelo Reino Unido é mais ou menos a mesma que países mais pobres emitirão durante todo o ano.
Este gás é o principal causador do efeito estufa [aumento da temperatura global causado pelo excesso de gases na atmosfera que retém o calor que deveria ser devolvido ao espaço em forma de luz infravermelha] que, como já sabemos, é responsável por fenômenos “agradáveis” como as secas extremas, inundações, furacões, ciclones, tufões.

O que mais me irrita é que estas conseqüências atingem com mais violência a massa pobre que não pode simplesmente pegar um carro ou um avião e mudar de casa ao saber que um furacão está por vir ou que uma inundação está pra ocorrer. Enquanto isso, nos países ricos, pessoas confortáveis em suas residências assistem às desgraças “naturais” em suas tvs a cabo e emitem 100 vezes mais CO2 que as pobres vítimas das catástrofes climáticas.

A União Européia está se movimentando a fim de dar eficácia ao Acordo de Kyoto e convencer outros países industrializados a diminuírem a emissão de gases do efeito estufa, entretanto os EUA rejeitam compromissos com esta causa arrimados na política desenvolvimentista de Bush; nenhuma novidade também.
Sobre o assunto, An Inconvenient Truth – filme de Davis Guggenheim, baseado no novo livro de Al Gore (candidato à presidência dos EUA, perdeu para Bush em 2000), estava pra chegar aos cinemas aqui em novembro de 2006 e até agora nada, ao menos que eu saiba.

Este documentário mostra a realidade em relação ao aquecimento global, as principais causas do efeito estufa e as conseqüências para o planeta. É feito um apelo às pessoas para que mudem de atitude em relação à produção e gasto de energia – aquele famoso slogan de que “cada um deve fazer a sua parte”, batido, mas sempre válido.

Pretendo assistir ao filme e ficar, mais uma vez, indiganada com as atitudes norte-americanas, pois o “país mais importante do mundo” e auto-suficiente não parece temer a resposta da natureza ao descuido com o qual é tratada…mas e se o resto do mundo acabar? Ah, para eles parece ser só o “resto do mundo”; não terão mais a quem explorar, mas também não terão mais a quem mostrar que são os “melhores”.


Eu tenho Medo (Trânsito)

Quarta-feira, 24 Jan, 2007

Quanto mais queijo, menos queijo.

Ciclistas. Pedestres. Pedestres doidos que saltam na frente do carro. Motoqueiros. Aquele povo que dirige umas lambretinhas e acham que estão indo muito rápido (na incrível velocidade de 40 Km/h). Animais.

Buracos. Passagens estreitas. Carros que andam muito grudados. Carros que andam rápido demais. Carros que andam devagar demais. Gente que não sabe o que quer. Gente que sabe tanto o que quer que nem se importa de dar seta. Gente que sai costurando o trânsito.

Lombadas – fantasma (elas estão ali, ainda que não haja uma única indicação). “Anarelinho” tentando atingir a cota. Me perder num bairro estranho. Ruas que mudam o tempo todo (um dia é mão única pra ir, depois é pra voltar, passa a ser mão dupla e volta a ser mão única de novo). Não saber qual a mão de uma rua.

Motoristas velhos. Motoristas iniciantes (já basta eu nas ruas). Motorista experiente que fica buzinando como se a mão tivesse colada na porcaria da buzina, me faz perder a concentração e deixar o carro morrer. Gente que não respeita nada.

Dirigir é um troço complicado. Não me admiro que a pressão suba horrores quando se está com as mãos no volante, um pé no acelerador e outro pertinho da embreagem. Existem milhões de coisinhas chatas, estressantes, um tantinho amedrontadoras e os outros motoristas não ajudam em nada.

Às vezes se tem a nítida impressão de que as pessoas a sua volta dirigem tão bem quanto ou pior do que você, quando o caso é que, para sua própria segurança, seria melhor se eles dirigissem um pouquinho melhor. Ou ao menos que tivessem consciência de como dirigem e tomassem mais cuidado.

Não sei, sei que se os outros motoristas respeitassem um pouco mais, não fossem tão fominhas e dirigissem um pouco melhor, talvez sair às ruas não desse medo à ninguém.

Exceto, claro no caso de ciclistas e pedestres doidos. Os ciclistas são doidos por natureza. Eles simplesmente se emburacam de qualquer jeito na rua, com a plena certeza de que todos podem vê-los. O caso é que essas criaturas dirigem um trocinho leve e nem um pouco seguro e se metem no meio de uma turba de “armaduras” enormes, em alta velocidade e que nem sempre vão conseguir frear para não mandar o ciclista voando pra cima de outro carro. Muitas vezes a situação no trânsito está tensa, tem um caminhão à esquerda, um carro tentando disputar espaço com ele numa faixa onde só cabe um, você na outra faixa tentando escapar da batida e da sua direita sai um homem com uma bicicleta, surgidos do ar, bem na frente do carro. O que se faz nessa hora é puro reflexo, já que o único pensamento é: “fodeu!

Já os pedestres doidos dispensam comentários. Eles simplesmente se metem a atravessar a rua, com plena consciência de que “todos podem vê-lo” ao invés de esperar que o carro passe, procurar uma faixa ou um semáforo. Aí acontece um engavetamento e ninguém sabe o que foi!


Personagens Femininas no RPG

Sábado, 20 Jan, 2007

A lua não passa de um grande queijo suíço. E que será comida por ratos alienígenas.

Lendo A Game of Thrones, de Martin (cuja mini-resenha vocês podem encontrar em posts anteriores) e conversando com Fernanda, me ocorreu uma conversa que tive com meu digníssimo a algum tempo atrás: por que todas as jogadorAs fazem personagens com o arquétipo “mulher decidida e corajosa”?

Na ocasião da conversa, my lord groom(1) perguntou: por que todas as personagens de vocês seguem esse tipo? Parei para pensar e fiz uma rápida retrospectiva mental sobre as protagonistas da minha vida rpgística (ou ao menos as mais queridas), que segue abaixo:

  • Aila, barda com sangue celestial, devota da deusa da beleza. Cresceu com a mãe, não conheceu o pai, e aos 15 saiu viajando como aprendiz de um elfo bardo pela qual se apaixonou. É uma mulher independente, metida a casamenteira, e certas vezes toma decisões que se afastam das do grupo. Faz parte do arquétipo.
  • Akane, atualmente guerreira. Supostamente abandonada pelos pais, cresceu adotada por um taverneiro. Aos 13 anos fugiu de lá para tentar descobrir de onde veio. Acabou se juntando a um grupo de aventureiros famosos, e graças a uma reviravolta envelheceu 10 anos em 10 dias, que foram passados no plano do deus da guerra. Também se encaixa.
  • Tessa, abandonada pelos pais (repararam que eu adoro um drama?), cresceu nas ruas de Sharn. Traz como marca de nascença uma misteriosa marca que lhe concede um certo poder místico de influência sobre as pessoas, e graças a essa marca ela sempre esteve à margem da sociedade. Adotada aos 11 anos por um professor de universidade, seguiu os passos do amado pai adotivo e hoje é uma exploradora à lá Indiana Jones. Se encaixa tanto no perfil que transborda nele.
  • Edrien, personagens de Star Wars. Não tem força combativa alguma, mas é dona de uma mente rápida como um tiro de blaster bem dado. Com um talento nato para construir coisas, pretende fazer um droid protocolar que vai fazer todo o serviço pesado pra ela: lavar roupa, carregar coisas, e só. Pilotar naves, construir armas, veículos, consertar coisas diversas é a sua vida. Bem, apesar de meio dependente combativamente, age por si só na maior parte do tempo. Também se encaixa no perfil.

E então, lendo o romance referido acima, eu noto: as personagens que mais me atraem são as mulheres decididas, que respodem, que agem, e que, de preferência, carreguem uma espada. Ou ao menos seja uma personagem realmente interessante, com desejos além de “casar, tornar-se rainha e ter muitos filhos”. O mesmo acontece em outras coisas: séries, quadrinhos e filmes. Mais exemplos? Eden, de Heroes. Jenny Sparks, do Authority. E eu gostei da Arwen de Peter Jackson. E claro, a Lust de Full Metal Alchemist, do meu avatar.

O motivo é óbvio: nós vivemos numa sociedade pseudo-igualitária. Mulheres seguem carreiras outrora seguidas apenas por homens (ou melhor, mulheres seguem carreiras), o inverso também é válido, e hoje em dia já se vê saltos altos no meio de uma construção civil. E claro, há mulheres por demais dirigindo(2). E o RPG, assim como a arte, imita a vida. Afinal, não seria nada atraente para uma garota jogar com uma lady que passa seus dias bordando ou com uma camponesa que morre de trabalhar o dia todo para ser tomada pelo marido quando a noite cai. Ao menos isso não parece nada atraente para mim.

No entanto, a vero-semelhança (grafia intencional, vale salientar) não pode faltar de todo. Devem existir personagens chatas e melosas que sonham em se casar, ter filhos, e não necessariamente amando o seu marido. Se assim for, tanto melhor. Se não for, paciência. Amantes servem para isso. Essas personagens, normalmente, se encontram sob o controle do mestre. Ou do roterista. Ou do escritor, e normalmente não são personagens protagonistas.

Um outro detalhe inerente à personalidade feminina é o drama. Eu mesma adoro um drama. Pais perdidos, um inimigo jurado, um amor não-resolvido… quanto mais background, melhor. Pena que nem sempre eu tenha criatividade para isso. Ainda partindo das minhas personagens: Tessa conseguiu em suas jornadas um amor proibido; Akane está grávida de um homem que atualmente ela odeia e prestes a fazer um casamento por conveniência; Aila fez um acordo com uma criatura infernal e sua alma pertence agora ao lorde do segundo círculo dos infernos, e Edrien acabou de se ver metida em uma intriga que lhe tomou muito mais que um braço (sim, ela tem um braço mecânico).

E mais uma vez caímos na premissa de que tudo se adapta às necessidades de mercado. ^^

(1) Eu realmente acho que estou lendo romances de fantasia medieval demais…
(2) Sim, um pouco de machismo: sou contra as mulheres dirigirem. Principalmente eu.