Modalogia

Quarta-feira, 22 Nov, 2006

” A moda verão 06/07 desse ano (sic) vai ser repleta de brilho, especialmente o prata.”

Essa foi a frase de um estilista brasileiro que eu devo ter visto ou lido em algum canto, mas isso pouco importa. Soou para mim como as previsões da moça do tempo: “No nordeste, a temperatura sobe, mas uma corrente vinda do sul fará com que haja pancadas de chuva durante a tarde”.

Os metereologistas tem como prever isso. Eles tem como dizer que o verão 06/07 desse ano será quente pra caramba, que vai chover um bocado e que a gente se prepare, porque o verão 07/08 do ano que vem será ainda pior. Existe algo para medir o clima, as correntes de ar e outras presepadas metereológicas, mas moda?!?

Ninguém “mede” a moda, quem a inventa (se bem que hoje em dia não se inventa mais nada, só se copia) são os próprios estilistas. Eles se sentam numa mesa, no meio de um furacão de tecidos, modelagens, estampas e o escambáu, pensam no que é que faz tempo que não aparece nas passarelas, fazem uma “releitura” e saem nos jornais, revistas de moda, tv e internet dizendo:

“Olha, a tendência do verão XX/YY desse ano é essa, benhê.”

Como se tivessem usado algum aparelhinho miraculoso pra saber o que todas as pessoas querem usar no verão ou inverno.

Pra mim, os principais estilistas e donos de grife do mundo se reúnem uma vez por ano numa ilha remota e debatem tudo o que vão lançar. Decidem lançar uma moda retrô-anos-50 no outono, se dividem entre babados vitorianos e estilo militar no inverno, resolvem que a primavera vai ser retrô de novo, só que anos 60 e 70 dessa vez e no verão, tecidos leves e brilho, “principalmente prata”.

Pronto! A moda 2006 está feita! A essa altura, eles devem estar se reunindo pra ver como é que eles vão fazer com que nós gastemos mais dinheiro numa moda totalmente diferente. Será que vamos resgatar pessas do armário de nossas mães ou de nossas avós, dessa vez?

Talvez nos façam gastar nosso dinheiro com academia. Tô vendo a hora de pararem de produzir qualquer coisa com numeração maior do que 38.


Sobre bebês e cachorros

Domingo, 19 Nov, 2006

Cachorro e bebê, o bom é o dos outros.

Cachorro dos outros não dá trabalho, não urina no chão do seu quarto, você não precisa alimentar, dar água ou pagar pet shop pra cuidar do bicho enquanto você viaja. Cachorro dos outros chega, faz uma graça, chama atenção e você fica ali dizendo como é bonito, como é esperto, brinca um pouquinho com o bicho, faz um carinho e quando ele começa a aperrear, o anfitrião leva o animal embora.

Quer coisa melhor? Só as vantagens, nenhum dos aperreios! Nenhuma conta de veterinário ou pet shop, nada de ficar checando a data das vacinas ou ficar aperreado porque o bicho espirrou e pode estar doente. Cachorro dos outros não come os seus sapatos, não rouba seu sanduíche, não baba sua calça nova e não fica chorando porque não pode dormir no seu quarto.

Bebê é mais ou menos a mesma coisa. Bebês são aquelas coisinhas lindas e meigas, descobrindo o mundo, aprendendo a andar e rindo porque alguém fez “bilu-bilu”.

No entanto, bebês choram. Bebês pedem comida a cada 3 horas. Bebês não tem como se comunicar com o mundo a não ser rindo, chorando ou enfiando algo na boca, pra ver o que é. Bebês têm essa mania horrível de conhecer o mundo com a boca, o que deixa os pais bastante preocupados.

Bebês precisam de cuidados especiais, precisam de atenção “24/7″*, precisam de babás de vez em quando e crescem numa velocidade vertiginosa, a cada mês precisam de roupas novas, porque as antigas já não cabem.

Bebês e cachorros são umas gracinhas, mas cuidar deles “é peso”.

* “twenty-four, seven”, quer dizer 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Que bonitinhos… Até parece que sempre são esses anjinhos!


Beringela

Sexta-feira, 17 Nov, 2006

A culpa é dos indianos.

Claro, algo de bom eles fizeram. Uma cultura misteriosa, sobre a qual vale a pena ter algum conhecimento, sedas, molho curry… Mas tinham que “inventar” a beringela?

A Wikipédia me disse que a maldita é da mesma família da batata e do tomate, mas eu me recuso a acreditar. Batata é bom. Tomate é bom. Ambos são gostosos e um não tem nada a ver com o outro.

Veja bem: batata é um tubérculo; dependendo do tipo de batata, é um caule ou uma raiz. A batata-doce não tem nada a ver com a batatinha nossa de cada dia, então ela não está inclusa nos SEIS espécies diferentes de batatas existentes. E agradeça aos peruanos por essa maravilha, que salvou um país inteiro da Peste Negra, dá muito dinheiro aos fast-foods e alimenta uma penca de gente há 7.000 anos.

Tomate é fruta. Não importa se está na salada, e não no fruteiro, junto com as maçãs, bananas e laranjas. É fruta do mesmo jeito. Uma fruta meio estranha, esse tomate, pra falar a verdade. Duvido que alguém vá fazer o lanchinho da tarde e pegue um tomate ao invés de uma maçã e o leve diretamente para a boca. E por mais que suco de tomate exista, ele é salgado, e não doce.

Mas voltando à beringela, a Wikipédia ainda me disse que ela é parente do pimentão. Também acho difícil, mas talvez sejam mais próximos do que o tomate ou a batata. Se bem que a culpa pelo pimentão não é dos indianos, é dos mexicanos.

Parente ou não parente, beringela é ruim. Beringela não apenas é ruim como cheira mal. E eu acredito que ela não seja ruim só de gosto, ela tem uma personalidade malévola. Dê espaço a elas e elas se juntam às vacas e à TimesWarner e dominam o mundo!

Aí me diz: pra que diabos os indianos inventaram isso? Porque acharam a planta bonitinha. Imagina! Foram cultivar a beringela como planta ornamental. Aí descobriram que dava pra comer e lascou tudo! Inventaram de fazer pratos com beringela, passaram a seduzir as pessoas, dizendo que aquilo era bom, criaram um tipo de propaganda que os nazistas usaram mais tarde e BUM! O mundo passou a acreditar na beringela, com sua cara de alienígena, e no seu sabor.

Aí o que acontece? Hoje em dia se faz beringela grelhada, assada, com carne, recheada… Até com chocolate! Nem o chocolate foi páreo para a beringela! Assim, elas foram dominando o mundo, de forma mais sutil que todo o resto. Daqui a pouco o mundo será governado por elas, aí quero ver!

Não queria contar, mas os indianos não chegaram sozinhos à conclusão de que seria bom divulgar a beringela. A idéia foi delas. mas eles não estão redimidos da culpa. Ninguém mandou que eles plnatassem beringela por tudo que é lado!

Eca!!!

Invasão

Segunda-feira, 13 Nov, 2006

Aula num colégio particular, logo após o intervalo. O professor sem graça fala sobre um assunto sem nexo para um bando de alunos sem interesse, que prontamente ignoram o pobre homem a sua frente.

Para azar desse e dos outros professores, bem como a coordenação, há uma queda de energia, deixando as salas de aula sem luz ou ar-condicionado. A gritaria começa e os alunos se esparramam pelos corredores protestando contra a possibilidade de assistir aula numa sala quente, mais do que felizes pela desculpa que o acidente lhes ofereceu para que corressem, gritassem e enlouquecessem aqueles que, supostamente, são responsáveis pelos alunos dentro de um colégio.

Após quase uma hora, os inspetores e coordenadores conseguiram colocar a maior parte dos alunos para dentro de sala. Abriram as janelas e a aula prosseguiu, não do mesmo professor chato, mas de outro; que não deixava o primeiro para trás em matéria de assunto tedioso.

De uma das janelas surgiu uma borboleta de asas azuis e amarelas. Uma garota no fundo da sala notou a entrada do inseto e passou a observá-lo. Daqui a pouco entram mais algumas e em poucos minutos são cinco passeando pela sala e indo em direção a porta, como se quisessem visitar o colégio. Não bastassem borboletas, pássaros resolveram que aquela instituição era um lugar muito legal de se conhecer. Vieram aos montes! Aglomeravam-se no teto e faziam um barulho desgraçado, todos piando ao mesmo tempo. Umas duas abelhinhas curiosas acabaram sendo arrastadas por eles e, no meio da confusão, atacaram o professor! Horrorizado com toda a confusão e com a dor de ser ferroado na testa e na bochecha, pouco abaixo do olho esquerdo, saiu gritando pelos corredores!

Os pássaros se manifestaram aumentando o barulho, sujando as salas, seguindo para as outras, bloqueando a visão das pessoas e espalhando penas por aí! As borboletas eram muito sensíveis para essa bagunça toda e foram embora o mais rápido possível!

Lá embaixo, elas observavam tudo. Esperavam pacientemente que o caos se instalasse e as pessoas estivessem atordoadas, sem saber o que pensar. Escalaram as janelas e invadiram as salas. A medida que entraram, expulsaram os pássaros, fecharam as janelas e renderam todos.

Aquilo era um protesto, explicava a vaca comandante de toda a invasão, contra os fazendeiros e ordenhadores, pelos abusos que cometiam contra esses pobres mamíferos! Quem se mexesse, levava leite na cara!

Mais uma vez soa o toque, ecoando naquele silêncio. A menina acorda. Hora de ir para casa. O professor guarda suas coisas calmamente enquanto a turba de alunos corre ao seu redor. A borboleta continua pousada tranqüilamente no parapeito da janela.


Na Terapia

Domingo, 12 Nov, 2006

- Reconheço que tenho um problema, doutor.

- Humhum.

“Aleluia!” Pensa o pobre coitado do psicólogo. Há dois anos aquele jovem o visitava semanalmente, por imposição da mãe, e jamais admitiu ter qualquer problema. Finalmente iria dizer que era excessivamente tímido e introvertido, tinha problemas com sua altura, dificuldade para se comunicar com os outros e conflitos com o pai.

- Vacas.

- Como?

- Estou obcecado pelas vacas!

- Como assim? Que tipo de vaca?

- Todo tipo de vaca! Malhadas, leiteiras, com chifres, sem chifres, gordas, magras… Até vacas de desenho animado!

-Prossiga.

O terapeuta esperava outra confissão do garoto, é verdade. Mas se ele estava a fim de falar sobre vacas, que falasse. Quem sabe isso não revelaria algo a mais sobre ele? Talvez tivesse algum trauma de infância.

- Há mais de um mês sonho com elas. Às vezes é uma coisa simples: as vacas pastando em colinas verdes, mugindo, os bezerrinhos mamando. Já sonhei com vacas pulando cerca, como se fossem ovelhas. Vacas vestidas, indo trabalhar.

- Certo. Me conte com calma, não precisa se exaltar.

- Ontem sonhei com vacas carnívoras, que comiam carne de humanos. Os humanos eram o gado, entende? E as vacas dominavam o mundo.

- Você vê essas vacas só em sonhos?

- É. Não. Bom, encontrei uma vaca na rua, ontem. Era uma vaca comum, tava pastando num dos terrenos baldios, perto da minha casa. Você sabe, eu moro num bairro distante, pouco povoado…

- Qual a impressão que a vaca lhe causou?

- Ela falou comigo, doutor! – O paciente estava de olhos arregalados, como se tivesse acabado de ouvir a vaca falar. – Ela disse que nosso fim está próximo e que hoje elas vão explodir o empresarial mais importante da cidade!

O empresarial, óbvio, era aquele onde se encontrava o consultório.

O psicólogo estava preocupado com o garoto. Iria encaminhá-lo a um psiquiatra e pedir exames de sangue e urina, para ter certeza de que ele não estava usando alucinógenos.

Antes que pudesse dirigir novamente a palavra ao seu paciente, o jovem transtornado saltou da cadeira, gritando, e correu para fora do consultório. Iria tentar alcançar a segurança das ruas pela escadaria de incêndio.

Quem olhasse pelas janelas voltadas para o leste, poderia ver vacas saltando de pára-quedas, com granadas nas patas, que elas atiravam para dentro do edifício, quebrando as vidraças.


Finados 2006 – Parte Final

Sábado, 11 Nov, 2006

E inicia-se o domingo! O sol brilha, os pássaros cantam, os Smurfs saem de suas tocas cantando músicas toscas… ahm, ok, isso ainda é produto do meu sono.

Que tipo de gente acorda cedo no domingo? Eu, claro. Que tipo de gente acorda cedo pra pegar um ônibus pra Epitácio, pegar outro para Intermares, e não é para curtir um sol, e sim para preparar um seminário? Eu, claro.

Acordo, tomo um banho, como um pão assado com água, tomo minha colherada de mel (minha garganta pela manhã é inútil, principalmente aos domingos. Acho que ela também quer descansar) e segui para o ponto de ônibus. Não antes de passar protetor solar no rosto, graças a um pressentimento sobrenatural que apoderou-se de mim. Algo me dizia que eu iria precisar disso. Claro, peguei os óculos escuros emprestados do meu irmão, esquecendo, por um momento, que eu sou míope. Dez minutos, Vinte minutos… Ahn, eu acho que aquilo é o Geisel-Epitácio… ah, é sim.

E lá estou eu, num belo domingo ensolarado, na Epitácio Pessoa, de óculos escuros sem grau. E isso quase me fez perder o ônibus, mas isso são detalhes. Subi, fui assaltada pelo cobrador (R$ 1,60 por uma viagem para uma cidade satélite é um assalto) e me sentei. Meu ponto de referência? Primeira parada depois do antigo Water Park.

Impossível perder a parada, oras. Só passar as ruínas do Water Park. E o caminho se segue, fazendo turismo pela orla de João Pessoa, Bessa, e adjacências. Bem, eu acho que isso daqui é Intermares. Ah, sim, é. Quando os bares e cabeleireiros começam a ter nomes como “Intermares Bar”, ou “Intermares Hair”, eu sei que estou em intermares.

E vai seguindo, seguindo, e nada de achar aqueles toboáguas abandonados. Que coisa mais idiota fazer um parque aquático numa cidade litorânea! É quase como ter piscina numa casa de praia. Afinal, com um mar ENORME na sua frente, tomar banho de piscina é a coisa mais esdrúxula que existe. Até que o ônibus faz uma curva, rumando para a infame BR. Moço, eu passei demais da parada do Water Park? Ah, passei, foi? Tá, brigada…

Acho idiota o sistema de ônibus de Cabedelo. A saída é na parte de trás do ônibus, de modo que você anda contra o sentido do ônibus. Eu quase caí pelo menos umas duas vezes. Mas bem, desci, e gastei meus parcos créditos. Germana, querida, estou perdida. Em algum lugar do Poço, é. Ah, vou ter que ir voltando, é? Tá bom…

E voltei. Sobre areias avermelhadas e sob um sol capaz de fritar um ovo na minha cabeça, eu voltei. E foram os 30 minutos de caminhada mais demorados da minha vida. Suada, fedendo, irritada e cega diante de tanta luz, cheguei na casa dela. A dona da casa acabava de sair do banho, depois de uma bela noite de sono, e foi tomar café. Tomei café pela segunda vez, me re-hidratei, e perguntei da outra menina do grupo.

- Shuane? Não chegou ainda não…

E veja a hora que ela me chega: 10:40. Feliz, não? Paciência, paciência. Caraca, que piscina atraente. Ah, se eu tivesse trazido um biquíni… agora eu entendo porque as pessoas têm piscina mesmo morando a 20m da praia. Preguiça.

- Bem, Germana não leu o assunto porque ela não tinha. Lesse, Shuane?
- Li não, não vou mentir…

Aquilo realmente me irritou. Já não basta a pilantra (usando um termo alheio, com a devida não-autorização) se escorar em mim o curso inteiro, eu vou ter que fazer a porcaria do seminário sozinha? É, tudo bem, é nisso que dá ser otária. Relaxe, relaxe, conte até 10… até 20… até 29. Tá bom. Acalmou? Ótimo. Vamos cuidar do seminário.

E até às 18:40, ficamos sentadas, diante do computador, conversando mais besteira que fazendo o seminário. Almoçei um macarrão-chiclete, com mais catchup e queijo ralado que macarrão (como eu odeio macarrão), e um refresco muito ruim, que deveria ser de guaraná. Normal, normal. Ninguém faz almoço dia de domingo, quando os pais não estão em casa. Agora eu vejo uma utilidade maior para a piscina numa casa a 30 metros da praia: afogar colegas de turma.

A tarde se passa, mais falação de besteira, mais cansaço, e eu realmente estava me sentindo uma porca. Findo o trabalho, inicia-se a volta para casa. Eu tinha algo marcado para esse domingo, não tinha? Tinha sim, o que era…? Ah, claro. Um rodízio de pizza. Com uns amigos do Cefet, onde cursei o Ensino Médio. É, eu mal tenho dinheiro pra passagem, quanto mais prum rodízio? E eu não vou entrar na pizzaria de regata fedorenta, chinela havaiana que um dia foi branca, e a bolsa pesada como estava. Fui pra casa, tomei um banho e me senti como se tivesse passado o dia na praia: completamente ardida.

Advinhem? Ainda guardo o bronzeado da minha regata. =D

E aqui se findam minhas desventuras no feriado de Finados.

Vou ver se até amanhã posto um texto decente, só pra tirar essa tosqueira. =D


A Vaca

Sábado, 11 Nov, 2006

- Tio! Você sabe desenhar bicho?

- Sei.

- Qualquer bicho?

- Qualquer bicho. Você quer que eu desenhe um pra você?

- Quero! Desenha uma vaca!

- Certo.

O tio esperava que a menina pedisse um gatinho, borboleta, coelhinho; essas coisinhas fofinhas que menininhas sempre pedem. De qualquer modo, que mal haveria em desenhar uma vaca?

- Amarela. E com a barriga rosa. E não uma vaca de verdade, desenha ela em pé, com os braços abertos.

E ele começou a desenhar a vaca para sua sobrinha. Quis fazer no estilo de desenho animado, porém a menina protestou. Não queria uma vaca de verdade, mas também não queria que fosse tão de mentira assim.

- E esse nariz?

- O que tem o nariz?

- Faz mais redondo. Assim, como uma tomada. E o chifre tá muito grande!

- Então você quer um focinho de porco numa vaca mocha?

- O que quer dizer mocha, tio?

- Que não tem chifres. Vou diminuir o dela, tá bom? Tem certeza quanto ao nariz?

- Daqui a pouco eu vejo isso. Faz um óculos desses de motorista de avião!

- Um óculos de piloto de avião. Na vaca.

- É! Nos olhos dela!

O tio se surpreendera com a fertilidade da imaginação de sua sobrinha. Mas se ela queria uma vaca amarela e rosa, mocha, com fuça de porco e óculos de aviador, por que não?

- Agora desenha a mochila, tio!

- Que mochila?

- A do pára-quedas, né? Ela tá no céu!

- Mochila do pára-quedas!?! …

- É, essa vaca não voa, só a do desenho animado que passa da tv é que sabe. Faz o pára-quedas aberto, senão ela se esborracha.

Cega a vaca não ficaria, afinal já tinha os óculos! Ele riu da criatividade da menina! Quem sabe não a chamaria para ajudá-lo, quando precisasse ilustrar um livro infantil? E deu à vaca um pára-quedas vermelho.

- Mas… vermelho? Não combina com os óculos!

- Ah, não?

- Não! Os óculos são azuis!

- Você não acha que, com os óculos azuis, o pára-quedas azul e o céu azul, vai ficar tudo azul demais?

- Mas o céu não é azul.

- Não?!

- Não. Ela tá saltando ao pôr-do-sol; tem que ser rosa. E laranja; e vermelho; e lilás!

- E a barriga da vaca?

- É rosa clarinho, feito cor de pele.

- Certo. Mais alguma coisa?

- O nariz! Faz ele redondo, mas sem ser de porco. Porco é feio.

- Então tá. Aqui está a sua vaca.

- Obrigada, tio!

E a menina sapecou um beijo na bochecha do tio e foi mostrar pra chata da irmã, apenas dois anos mais velha, que vacas pára-quedistas existiam sim, tá?


Uma Tarde Muito Comum

Sexta-feira, 10 Nov, 2006

Uma garotinha ia andando pela rua, ao longo de um parque, num dia ensolarado. Ela tinha três balões numa mão, um ursinho de pelúcia na outra, choviam flores do céu e borboletas brilhavam em seus arbustos.

Lagartinhas dançavam o Cancã no gramado verde-limão e girassóis lilases aplaudiam.
Os cogumelos, que cresciam em abundância no verão, tinham um lado azul e um vermelho e cada lado transportava para um canto diferente. Você poderia ir para Zion ou para o País das Maravilhas.

Alice ainda era muito nova para conhecer o país estranho. De qualquer modo, o Chapeleiro ainda não era maluco e o ratinho do bule ainda não sabia recitar o poema da estrelinha, então não teria tanta graça.

Ela soltou seus balões, que foram esperá-la à sombra de uma árvore, e sentou-se para conversar com os homens-biscoito, muito confeitados com seus enfeites, que evitavam as poças de leite.
Um dos homens-biscoito colheu algumas das minúsculas flores que choviam e deu para o ursinho de Alice.

Aviões chamaram a atenção deles. Eram as vacas pára-quedistas, que realizariam piruetas no céu rosado do meio da tarde.

Quando elas começaram a cuspir fogos de artifício, como num show pirotécnico, eu acordei. Até para mim loucura tem limite.


Vacas

Sexta-feira, 10 Nov, 2006

Recebi esse site por scrap no orkut de um amigo e mostrei pra outro no MSN. Ele achou divertido e tudo mais, mas não entendeu o real perigo da situação.

Resolvi instituir o Fim-de-Semana das Vacas, somente para abrir os olhos dessas criaturas desatentas.

Vocês que moram em bairros “civilizados” têm sorte, não precisam topar com essas criaturas quase todo dia. Se toparem… sorriam e façam cara de bonzinho. Garanta que elas o considerem um amigo. Nunca se sabe o que pode acontecer! =D


Quinta-feira, 09 Nov, 2006

Hoje eu vou apenas falar que por mais que o dia tenha sido cheio de acontecimentos nem um pouco planejados… o céu estava azul [eu amo céus azuis], o sol brilhou e as árvores estavam verdes…estou feliz porque tenho olhos que enxergam estas coisas.
Aquilo que era pra ter sido uma atividade jurídica se tornou um passeio com cheetos e cinema; não me arrependi. [talvez esta informação devesse ser secreta no momento]
Nem sempre as pessoas vão nos dar aquilo que esperamos…então, acho que é melhor não esperar né? “O que vier é lucro”. ha!
Talvez o problema seja: projeto o que quero nos outros, mas- por que não- eu mesma fazer?? Eu mesma realizar o tal projeto? Eu mesma. [vou anotar isto e colar na minha geladeira]
Agora parece uma boa hora para me livrar da maldição do coelho de “wonderland”…e contar os tais 6 segredos…tudo caminhou para isto…hahahaha.
Eu espero demais.
Eu faço pouco.
Eu sou impaciente. [paradoxal isto, se comparado com o primeiro segredo]
Eu nunca estou satisfeita, sempre quero mais…bem mais.
Eu queria muitas vezes ficar presa num certo momento da minha vida.
E queria muitas vezes pular certos momentos. Mas Click [the film] comprova que pular momentos não dá em coisa boa.

As maldições??? Pra quem serão???
Vou poupar vocês, ok.

Ps. acho que estes escritos deveriam ter ficado no meu diário de debutante…